Vida
Eu sou o vento
Que não pára
Brisa que rodopia
De alma em alma
Sou o desalento
Marinheiro sem rumo
Que não sabe dizer ao vento
Para onde quer ir
Sou a lua no céu enevoado
No meridiano errado
Ora brilhante
Ora errante
Lua que foge do Sol
E espelha no mar
O brilho que não tem a quem dar
Navio ser farol
Sou a estrela cadente
E o Sol nascente
O mar que, hesitante, beija a praia
Dia após dia
Venho e sou
Sou e não sou
Estou e não estou
Quero e não quero
Sou bocejo e energia
Toda a terra e todo o mar
José e Maria
Com um imenso desejo de amar
Tenho e não tenho
Sim e não
Luz e sombra
Vida... talvez não!
João Faces
Lisboa, 6/8/1998

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