02 dezembro 2004

Vida

Eu sou o vento
Que não pára
Brisa que rodopia
De alma em alma

Sou o desalento
Marinheiro sem rumo
Que não sabe dizer ao vento
Para onde quer ir

Sou a lua no céu enevoado
No meridiano errado
Ora brilhante
Ora errante

Lua que foge do Sol
E espelha no mar
O brilho que não tem a quem dar
Navio ser farol

Sou a estrela cadente
E o Sol nascente
O mar que, hesitante, beija a praia
Dia após dia

Venho e sou
Sou e não sou
Estou e não estou
Quero e não quero

Sou bocejo e energia
Toda a terra e todo o mar
José e Maria
Com um imenso desejo de amar

Tenho e não tenho
Sim e não
Luz e sombra
Vida... talvez não!

João Faces
Lisboa, 6/8/1998