A Vida
Amo-a talvez não tanto
Como ela me ama a mim,
Ainda que por vezes seja madrasta
Não me deu ainda o amor pleno,
Mas tão só fugaz,
O paladar da sua essência
O trabalho que me lança pesa em mim
E arrasta-se com o passar dos dias,
Arrastando-me a mim
Porém, ainda assim, amo-a
E cada vez mais
E cada vez mais compreendo o seu amor
Nada nela é inútil,
Nada nela é coincidência ou acaso,
Nem sequer vão...
Vãos são os dias
Que passamos alegremente, talvez,
Sem a ler ou ouvir
E no entanto ela respira,
Fala, suspira, aponta,
Indica e orienta-nos
Todos os seus astros falam,
Acolhem ou reencaminham
A alma de volta a si e ao seu projecto
E todos os dias giram, longe ou perto,
Nessa imensa sala de aula a céu aberto que é o cosmos
E a sua revelação
Quem aí entra e vibra em sintonia
Vibra também
Na harmonia do projecto universal
E então aprende o que é o amor
E ama-a a ela
E a todos os seus filhos, como se fossem seus (e são)!

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