16 junho 2005

A Vida

Amo-a talvez não tanto
Como ela me ama a mim,
Ainda que por vezes seja madrasta

Não me deu ainda o amor pleno,
Mas tão só fugaz,
O paladar da sua essência

O trabalho que me lança pesa em mim
E arrasta-se com o passar dos dias,
Arrastando-me a mim

Porém, ainda assim, amo-a
E cada vez mais
E cada vez mais compreendo o seu amor

Nada nela é inútil,
Nada nela é coincidência ou acaso,
Nem sequer vão...

Vãos são os dias
Que passamos alegremente, talvez,
Sem a ler ou ouvir

E no entanto ela respira,
Fala, suspira, aponta,
Indica e orienta-nos

Todos os seus astros falam,
Acolhem ou reencaminham
A alma de volta a si e ao seu projecto

E todos os dias giram, longe ou perto,
Nessa imensa sala de aula a céu aberto que é o cosmos
E a sua revelação

Quem aí entra e vibra em sintonia
Vibra também
Na harmonia do projecto universal

E então aprende o que é o amor
E ama-a a ela
E a todos os seus filhos, como se fossem seus (e são)!