Só o amor salva
E se um dia eu chegasse a velho
Sem um único amigo para abraçar,
Morto, portanto, por não ter memória viva,
Sem nunca ter dito: amo-te,
Sem nunca ter amado
Sem ter corrido riscos,
Sem ter sofrido com eles...
Sem ter corrido atrás deles,
Não os riscos,
Sem ter sorrido nos olhos de alguém,
Sem ter sorrido os olhos de alguém,
Sem ter colhido esse sorriso
E plantado no meu coração?
Então...
Então seria o epitáfio ambulante,
A tabuleta que espera a hora,
Vazia de sentido: "Aqui jaz aquele que morreu em vida"
Chegada a hora derradeira,
Apenas a meu lado no cortejo o medo, o pavor, a cobardia e o "podia ter sido se não fosse"..., esse a quem chamo o senhor do provável, o eterno apeadeiro da coragem
Que reles vida seria esta sem amor,
Na realidade, seria sequer vida?

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