02 dezembro 2004

Partida

Traço-me por entre caminhos
Descobrindo-me a cada esquina
Que percorro entre linhos
Da minha personalidade fina

Vou deixando para trás
A máscara composta
Que o tempo agora tão depressa desfaz
Até ela ficar deposta

E por isso os olhos podem brilhar
E os lábios podem sorrir
E a boca pode cantar
A felicidade que está por vir

Retoco os meus sentimentos
Roubo à razão para dar à emoção
Vivo alegrias e tormentos
Esperando que a caminhada não seja em vão

Vou colhendo sensações que desconhecia
Encontrando em mim o amor
E toda a sensibilidade que afinal sempre havia
Mas estava recalcada perjuízos de valor

Debruçado sobre Lisboa antiga
Vejo uma nova cidade poeta (adormecida)
Bailando, luzidia, numa cantiga
Que a paixão desperta

Cidade mulher
Cheia de graça
Desfolhado malmequer
Que o rio rega e abraça

Urbe homem (também)
Forte e pujante
Que por mais que a dobrem
Segue sempre triunfante!

João Faces, 20/10/1998