27 junho 2005

VIA SACRA

Deitado na cama
Vi-me subitamente na cruz,
Como Jesus Cristo

A dor era tão intensa
Que cerrei os punhos
Com a força proporcional

Foi então que percebi
Que, e como, Cristo morreu por amor,
Que por ele se deixou crucificar.

Senti a sua dor (se tal é possível),
Mas também a sua abnegação
E o sorriso dócil de quem se dá

Como era forte a sua vontade,
Como era intensa a sua paixão
Por nós, secularmente tão fracos, cegos e surdos...

Tirai-o da cruz, hoje,
Amando segundo a lei de Neptuno,
Vê-de mais longe do que o umbigo

Amai tudo e todos
Porque todos e tudo são um só,
Esse uno que somos nós.