VIA SACRA
Deitado na cama
Vi-me subitamente na cruz,
Como Jesus Cristo
A dor era tão intensa
Que cerrei os punhos
Com a força proporcional
Foi então que percebi
Que, e como, Cristo morreu por amor,
Que por ele se deixou crucificar.
Senti a sua dor (se tal é possível),
Mas também a sua abnegação
E o sorriso dócil de quem se dá
Como era forte a sua vontade,
Como era intensa a sua paixão
Por nós, secularmente tão fracos, cegos e surdos...
Tirai-o da cruz, hoje,
Amando segundo a lei de Neptuno,
Vê-de mais longe do que o umbigo
Amai tudo e todos
Porque todos e tudo são um só,
Esse uno que somos nós.

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