18 abril 2007

Amar…

Os teus pés descalços percorrendo o soalho de madeira da minha casa,
E as pegadas que eles deixam no rasto da tua existência em mim;
O movimento em si,
Reflexo da tua atitude e da tua individualidade

Tu por inteiro, sem complexos nem preconceitos;
O teu peito,
O teu jeito,
A alma que nele habita porque sem ela nada se anima

Amar-te, sim, nas polaridades de Vénus e Marte,
Debaixo das estrelas, por entre elas e com elas,
No complexo edifício do nosso ser,
Erguido na constelação maior da Vida

Ver-te para além de ti,
Dobrar o cabo cego da paixão,
Onde outros não ousaram chegar,
E encontrar-te para além do meu ego

Partilhar cada gota do que és e não és,
Sem te sorver,
Dar-te cada pedaço de mim,
Sem me perder

Construir em liberdade,
Fazer do nosso amor uma bandeira hasteada em campo aberto,
Pano branco e cru que se agita livre, sem marcar território,
Sinal somente do encontro de duas consciências que se buscavam

Reino sem rei nem rainha,
Pátria sem pai nem mãe,
Território do desapego,
Templo maior da união pela alma

Amar-te até ao limite dos desígnios e para além deles,
Manter esse amor em mim na eternidade do tempo,
Fazê-lo então luz maior acesa na onda de Neptuno,
Chama que abraça a Vida e toda a sua criação