10 dezembro 2008

Vã demanda a minha

Procuro em ti o que não posso encontrar por estar apenas em mim,
Adio-me assim eternamente para um futuro que teima em não chegar,
Sei que és quimera e ilusão,
Sonho de quem sonha sem razão e rema por este lago turvo com remos de pó

Mas hoje posso ver,
E vendo-te vejo-me assim, de coração na mão,
Esse que nego a quem verdadeiramente me ama,
Esse que entreguei tempo afora a qualquer assomo de chama.

É tempo do regresso a casa,
É tempo de dar por finda a demanda senão de mim,
E do amor dos que me amam, mas eu não vejo,
Por só vos ver a vós.

Oh bruta cegueira de olhos pardos e toldados,
Inerte sentir da alma trespassada pelas lanças de Marte,
Se podes ver, vê
Se podes sentir, sente!