03 agosto 2005

Encontro de Almas

20020910_14_USA_Santa_Monica_Beach_Sunset.jpg

Vejo-me na praia,
Estou na praia,
E o Sol, ao pôr-se,
Está por cima da minha cabeça

Vendo-me de longe,
A minha posição é a posição de uma divindade,
Indiana ou Azteca,
Que medita, na praia, com o Sol

De repente, vens tu
Do fundo da praia, da vegetação,
Andas pelo movimento de piruetas
E assim chegas ao pé de mim

Eu, que tinha pedido a tua presença ao Sol (criação de Deus),
Vejo-te agora sentado ao meu lado,
Estamos ambos de pernas cruzadas,
Olhamos o Sol na direcção do mar

És lindo, como ele, o Sol,
Com o teu cabelo louro
E um peito perfeito
De harmonia e consistência que me dá segurança

A tua mão pega na minha
E esfrega-a carinhosamente com a areia
E eu percebo que me queres mostrar o teu amor
E que o projectas para além do(s) tempo(s)

Erguemos as nossas mãos
Com as palmas abertas para o Sol
E recebemos dele a inspiração
E o calor divino

Estamos a olhar o Sol
Até que os teus lábios em que moram pequenas sardas
Me chamam na sua direcção
E me convocam para um beijo que também eu desejo

Depois deitamo-nos na areia
E ali estamos a contemplar o Sol
Com a minha mão na tua barriga
E a tua por debaixo das minhas costas

Até que com um olhar me chamas para o mar
E então brincamos na água
Como dois guerreiros que lutam
E mergulhamos e emergimos...

Sei agora que me levas para a tua casa,
Que fica junto a uma outra praia,
É uma casa de madeira e vegetação,
De formas originais, quase cómicas

Nada dizes, mas eu percebo que ali me queres,
E eu ali, doravante, pertenço,
Para ali trarás a caça e a pesca,
Que assegura a destreza que me mostraras na praia original

Com a tua mão pegas na minha mão
E eu arrepio-me até aos pés,
Por sentir o poder dessa tua mão,
Que és tu, é a tua energia, o teu calor, um raio da essência do teu Sol

Levas-me para o mar novamente,
E quando regressamos beijas-me
E eu beijo cada linha do teu pescoço fresco e salgado
Que agora sabe deliciosamente ao nosso mar

A praia é de uma areia branca e imaculada
Onde vêm rebentar suaves ondas
Que me recordam os caracóis do teu cabelo
E como o nosso destino está entrelaçado

Não te o digo, mas agradeço ao Sol e a Deus
A bênção maior da tua existência,
Cada sorriso, cada carinho,
Cada vez que me dás a mão e me puxas para o mar

Sou um pouco mais velho do que tu,
E dá-te especial prazer cuidar de mim, agradar,
Na verdade não era preciso,
Mas isso faz-te feliz e a mim também.

[Agradeço a Dulce Regina pelo seu livro "Vidas que se repetem", cuja leitura me catapultou subitamente, há minutos, para a visão desta vida passada e do encontro com a minha alma gémea, algures a oriente ou na América Central/Sul, creio]

Escrito a 3 de Agosto de 2005, de uma assentada.