09 dezembro 2004

Utopia do desejo

Chegavas num desses dias sem história
Com o gélido frio do Inverno
Tu próprio não tinhas história
Eras tão só o presente

Vinhas de coração aberto
E trocávamos sorrisos
Os teus olhos brilhavam
Como brilham os olhos num reencontro

As mãos suavam
Os braços avançavam
E no aperto de mão
Recebia a tua energia

Tinhas uma mão forte
Feita de dedos longos e carnudos
E braços firmes e robustos
Feitos para abraçar

Na tua face morena sorria uma boca pequena
E todos os dentes respondiam à sua convocatória
Dispostos em sentido
Recebiam-me com uma luzidia brancura

Então falavas
E a cada palavra tua sentia que eras tu
E quanto mais falávamos mais eramos nós
Mesmo quando nos calávamos

Depois seguíamos pela calçada fora
Desembocávamos na minha casa
E em frente da lareira acesa despia cada pedaço da tua essência
Ouvia cada detalhe como se fosse um pedaço de mim

Sob a luz cintilante do fogo o teu corpo nu desenhava curvas perfeitas
E eu ansiava por contorná-las, uma por uma
Era um corpo para contemplar
E eu ficava ali horas só a ver-te

Tinhas uns pés lindos
E nas pernas havia músculos salientes
Mas era o teu cabelo tão lustroso que me prendia o olhar
E olhava o fogo que ardia agora nos teus olhos

A tua mão pousa levemente na minha
É um convite
Sinto a tua língua na minha
É uma certeza

Os corpos tocam-se, sentem-se, experimentam-se
A tua pele é perfeita como seda
E eu afago cada pedaço da sua textura
Como a adoro...

Dizes-me palavras de amor ao ouvido
Que eu retribuo
Elas seriam nada sem os teus actos
Assim são tudo

E a cada dia que passa amamo-nos mais e mais
E pelo tempo que passa somos a excepção
Em cada noite caímos nos braços um do outro
E já de manhã acordas-me com um beijo só meu