22 agosto 2005

Do que pode não ser

Vivo num país em que o facto
É um fato que se veste e despe
Consoante os contextos

Um país de textos
De bela prosa
Feita de palavras mortas

Vivo num país em que o que conta
É o faz-de-conta,
Sem o qual se aponta a falta de virtude

Um país de doutores
Mais os horrores que produzem
Julgando governar

Vivo num país de povo simples
Que simplesmente não conta
Nem se leva sequer em conta…

Um país de terceira
Num mundo de primeira,
De jogos de feira em sede de salão

Vivo num país em que é difícil viver
Sem sobreviver do expediente,
Ou da cunha que emprega muita gente

Um país que, eternamente esperando
O D. Sebastião salvador,
Adormeceu silenciosamente