27 abril 2006

A ilusão

Quando eu era menino
Tinha a ilusão de ser alguém,
De ser homem de negócios viajado

Quando cheguei a ser esse alguém,
Percebi afinal que não era ninguém,
Pois tendo quase tudo, tudo me deixava frustrado

Hoje tenho menos do que desejava,
Mas isso já não me entristece,
Pois é o que sou que me enriquece

Sorrio ao ver os homens afirmarem-se pelo que têm,
E com o caminho árduo que os espera,
Mas isso não me alegra

O que me alegra é ser eu; é ser mais leve,
Poder olhar as árvores e os pássaros que cantam,
Sentir a ordem da vida a cada dia que passa

Alimentar a alma,
Vê-la crescer ao som das palavras sábias
Que só ela sabe escutar e intuir

Abraçar os amigos,
Perdoar os que não sabem perdoar,
Escutar os que não sabem ouvir

Ser o ombro que ampara,
A palavra que repara,
O optimismo e a fé que encorajam

Servir um propósito maior (que qualquer desejo),
De unidade, de fraternidade humana,
Um propósito não divisional

Ser porventura de novo criança,
Para poder sorrir para a vida
E sorver cada momento mágico do agora.