Hoje
Hoje regresso ao porto de onde, por Preste João, me apartei,
Sem troféus (que não busquei), nem ouro (que não demandei), nem outro (que, por Amar, libertei)...
E de novo recolho essas velas brancas
Em que apenas o vento ousou soprar
Regresso mais consciente,
Renato das tormentas e das quimeras
O meu navio está mais robusto,
Mas não ileso
Aguarda pelo (a)mar,
Mas urge por um leme que o poupe e oriente
Hoje regresso à minha velha casa.
À minha espera ninguém senão eu...
Renovo e alimento o espírito
Com as árias que a voz operática anima
Ah, como é duro regressar a casa
E de novo confrontar-me com o que ainda não sou nem sei...
Queria fugir de mim mas não consigo,
Encontro-me a cada esquina da minha existência,
Ciente que é do encontro comigo
Que pode nascer um dia o encontro contigo.

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