23 agosto 2005

Juízo Final

Vai no Rossio um escarcéu...
O primeiro-ministro veio a terreiro
De verdade ao léu

O cabelo era capacho,
A virtude era penacho
E as intenções reles fogacho!

Vai no Rossio um alarido...
O ministro veio a terreiro
E espalhou-se ao comprido

O assessor era filho,
O fornecedor um cadilho,
E as obras de mentiras um chorrilho!

Vai no Rossio um queixume...
O autarca veio a terreiro
Sem protecção que o torne impune

A obra pública só a ele rendia,
O PDM era fantasia
E o enriquecimento pessoal o seu guia!

Vai no Rossio um desvario...
O deputado veio a terreiro
Sem a imunidade do voto que o pariu

O voto era trampolim,
A Assembleia um jardim
E os eleitores mero capim!

Vai no Rossio um falatório...
O empresário veio a terreiro
Sem o típico relambório

O patriotismo era ilusão,
A justiça um chavão,
E a honestidade oco pregão!

Vai no Rossio um chinfrim...
O advogado veio a terreiro
E mostrou-se como é enfim

A toga não servia a justiça,
A argumentação era uma impostura maciça
E a testemunha de defesa mais do que postiça!

Vai no Rossio uma escaramuça...
O relações públicas veio a terreiro
Sem a respectiva carapuça

A verdade era mentira,
A simpatia ira
E a generosidade nunca existira!

Vai no Rossio uma altercação...
O publicitário veio a terreiro
Sem slogan, jingle ou canção

A promessa era vã,
A realidade era anã,
E a emoção um simples iman!