Juízo Final
Vai no Rossio um escarcéu...
O primeiro-ministro veio a terreiro
De verdade ao léu
O cabelo era capacho,
A virtude era penacho
E as intenções reles fogacho!
Vai no Rossio um alarido...
O ministro veio a terreiro
E espalhou-se ao comprido
O assessor era filho,
O fornecedor um cadilho,
E as obras de mentiras um chorrilho!
Vai no Rossio um queixume...
O autarca veio a terreiro
Sem protecção que o torne impune
A obra pública só a ele rendia,
O PDM era fantasia
E o enriquecimento pessoal o seu guia!
Vai no Rossio um desvario...
O deputado veio a terreiro
Sem a imunidade do voto que o pariu
O voto era trampolim,
A Assembleia um jardim
E os eleitores mero capim!
Vai no Rossio um falatório...
O empresário veio a terreiro
Sem o típico relambório
O patriotismo era ilusão,
A justiça um chavão,
E a honestidade oco pregão!
Vai no Rossio um chinfrim...
O advogado veio a terreiro
E mostrou-se como é enfim
A toga não servia a justiça,
A argumentação era uma impostura maciça
E a testemunha de defesa mais do que postiça!
Vai no Rossio uma escaramuça...
O relações públicas veio a terreiro
Sem a respectiva carapuça
A verdade era mentira,
A simpatia ira
E a generosidade nunca existira!
Vai no Rossio uma altercação...
O publicitário veio a terreiro
Sem slogan, jingle ou canção
A promessa era vã,
A realidade era anã,
E a emoção um simples iman!

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